terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Fim de tarde.

Sentada na frente de casa, num desses fins de tarde em que nada se espera da vida, paro por um instante de ler e começo a observar o movimento, os transeuntes...
Sabe, é uma dessas ruas boas de se viver, tranquila, exceto pela vizinhança. Ahh, tudo bem, não gosto de ter amizade com vizinhos mesmo!
Pois bem... Olho, e como sempre, há um ‘punhado’ de crianças a brincar, correr, sorrir, brigar e fazer as pazes para brigar de novo.

Não faz muito tempo e eu era uma dessas crianças. Sem preocupações, só brincava, corria, sorria, brigava e fazia as pazes para brigar de novo. Os transeuntes continuam os mesmos, só que assim como eu, mais velhos, assim como as crianças que vi nascer e que hoje ocupam meu lugar e que amanhã terão seus lugares ocupados enquanto ficarão sentados na frente de casa a pensar na vida, e eu, mais um transeunte que eles notarão ou não.
Pensando assim me sinto tão substituível! Sempre que alguém joga futebol aqui na frente de casa, ouço minha avó reclamar: “Meu Deus, TODA VIDA essa criançada fazendo bagunça aqui na frente de casa!!” – TODA VIDA, hahaha, mas !! Não são as mesmas crianças... é outra geração! Mas ela não entende. É sempre a mesma ‘criançada’, como se não tivessem crescido, quando na verdade, há muito foram substituídos...
Olho, e aqueles que um dia brincaram comigo passam de mãos dadas com suas namoradas/namorados, alguns já casados, alguns já com filhos (!).
E eu ali, observando tudo e todos, e me perguntando se sou observada, se alguém me nota, se alguém lembra que anos antes eu brincava na rua e que agora fico sentada lendo, que saio pela manhã e volto no almoço, que poucas pessoas me visitam porque poucos eu conheço, se notam porque me conhecem de outras primaveras, ou se notam para mais uma fofoca maldosa...
Não me importo. Não quero ser notada mesmo. Gosto mesmo de observar pessoas que conheço de uma vida toda, mas nunca parei nem mesmo para cumprimentar, pessoas das quais nada sei, não sei onde trabalham e como se divertem, só sei que existem e que sempre utilizam o mesmo trajeto, nos mesmos horários, e que passam pelas crianças que correm como outrora passaram por mim, enquanto eu corria.
Quem se importa com isso?
Pego o livro, ainda sentada na frente de casa, continuo a ler, as crianças a brincar, as pessoas a passar, o dia a morrer...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Por que não?

Quero um alguém para chamar de 'meu bem'.

Quero um alguém para me chamar de 'meu bem'.

Quero andar na beira da praia, sentir uma leve onda cobrir os meus pés enquanto aprecio mais uma das milhares de despedidas do sol...

Quero acordar acreditando que tive apenas mais um pesadelo, e após me acalmar, perceber que estou num infindável sonho...

Quero atravessar colinas para saber o que se esconde do outro lado delas, só admirá-las é o que sempre fiz...

Quero VIVER, sem me importar com a definição disso... apenas viver...

Quero o poder de fazer a diferença, se não na vida, mas no dia de alguém...

Quero olhar para trás e ver as pegadas que deixei, as marcas que por ali passei... olhar para frente e imaginar até onde ainda posso chegar...

Uma bela história me arranca lágrimas... um livro, um filme. Quero essa emoção!

Chegar em casa reclamando da vida, e alguém que me espera dizer "Está tudo bem, eu estou aqui..."

Quero tanto, mas tanto, tanto... sinto-me sufocada... Como se precisasse gritar tudo isso e um pouco mais...

Por que se fazer de forte quando quer se desmanchar? Porque sofre menos? Porque não mostra o quão vulnerável és? O que já ganhou com isso? Criou uma armadura espessa e quase impenetrável... agora, tem medo de como pode ser viver fora dessa armadura.

Aposto quando sei que posso e vou ganhar... mas nunca apostei no escuro... nunca... nunca...

Quero tanto, meu bem, tanto...

Quero perder o medo, quero destruir a armadura...

Não, perder o medo não... torna tudo mais dramático e eu adoro um drama. Só acabar com a armadura... Tudo fica mais fácil...

Quero... quero...

Quero um alguém para chamar de 'meu bem'...

Quero um alguém para me chamar de 'meu bem'... É... eu quero. Por que não?