Ninguém consegue entender o que se passa aqui dentro.
É melhor continuar assim, sem compreensão.
Na verdade, até eu fico confusa. Entendo pela metade.
Mas entender pela metade é não entender.
Um quebra-cabeça com peças a menos - você deduz a gravura da peça que falta, mas não sabe bem o que é.
Busco e quero tanto algo que ainda não se definiu. Eu não sei o que busco, não sei o que quero. Só sei que quero.
Confundo sempre, acho que encontrei, então, corro, agarro, como, odeio e jogo fora. Não era o que eu buscava. De novo.
Só ou acompanhada, não faz diferença, tudo continua sem cor.
O verde desbotou, o brilho do olhar se apagou.
As roupas permanecem jogadas no chão enquanto ele dorme. E eu, insatisfeita.
A carne incompleta, a alma sangrando de tristeza.
Tão bem acompanhada e tão sozinha.
Vai ver, é porque a companhia nem é tão boa assim.
Um dia eu sumo. Enquanto todos estiverem sonhando, eu fujo de tudo.
Talvez em corpo.
Talvez... você sabe.
A dose da bebida mais forte me derrubou ontem mas hoje já não faz o mesmo efeito. E agora?
Ele acorda e eu finjo dormir. Quero que ele vá sem que eu precise dizer 'até logo'.
Ele dá um beijo em meu rosto e se veste. Às vezes, dou uma olhada sem ele perceber. Não presto mesmo.
Ele dá outro beijo e se vai.
Ele sempre tenta me dar mais que uma noite, mas eu só quero mais uma noite.
No mais, esforços jogados na lata do lixo.
Quero devorar de uma só vez. Aí, acaba. E perde a graça.
Overdose. Overdose de tudo e de todos.
A droga acaba. Que venha a próxima.
Não sei degustar.
Continuo insatisfeita.
Frescura? Talvez. Talvez eu crie meus problemas.
Talvez eu não queira me sentir bem porque acho pessoas que fingem não ter problemas patéticas.
Eu sou patética, mas do meu jeito.
Vou andar um pouco agora, me exercitar.
Sabe, né?
Corpo são, mente Insana.