quinta-feira, 31 de julho de 2008

-Qual brinquedo você sempre desejou?

Havia uma garota,não me recordo seu nome, porém pouco importa... bem, nada de especial para enfatizar nela, nunca foi muito simpática e evitava multidões. Filha única, não era rica e nem mimada. Ganhava apenas o que sua mãe julgava necessário. A menina gostava de brincar no parque, mas quase não ia, porque sempre havia muitas crianças, e ela não gostava muito de lugares 'lotados'. Então ela pediu uma balança para sua mãe... era o que ela mais gostava no parque, poderia ter em casa... não precisaria tolerar outras crianças por perto. E ela ganhou! Não entendo como cabia tanta euforia num ser tão pequenino! Então ela brincou uma, duas, várias vezes, até enjoar e deixar a balança de lado, inutilizada, como já fizera com tantos outros brinquedos. Numa outra ocasião, pediu um patinete, mas desta vez não ganhou. Ficou frustrada, mas não insistiu. Não precisava mesmo, ela sabia que usaria por um tempo e depois esqueceria num canto qualquer. Ela sempre lembrava do patinete. Ela quis, mas não teve.
A garota cresceu. Nem de longe pode ser considerada a mais bonita ou inteligente... mesmo sendo bonita e inteligente. Um pouco fora dos padrões talvez e ainda tem grande aversão quando se fala de lugares lotados. Tem por perto apenas o que acha necessário para sua vida... amigos, poucos amigos, os melhores que uma pessoa pode querer. Não troca suas horas de leitura por nada. Agora, crescida, ela não tem mais brinquedos. Mas têm garotos desempenhando este papel. Ela não notou esta troca, mas isso é fato. Ela não precisava de brinquedos, mas gostava de tê-los. Hoje, ela acredita que não precisa de meninos, mas gosta deles, não pode negar que eles a divertem até determinado ponto.
A brincadeira começa...
Ela se interessa por um rapaz... mas não corre atrás, não, ela sabe ser muito sutil... não entendo o que ela fez, mas foi correspondida, chegando a namorar com ele. Ela ficou muito, muito alegre e satisfeita. Mas tudo tem o seu prazo de validade, é no que ela acredita, não pode fugir disso. Certo dia ela terminou o namoro, ele ainda a queria, chorou, demorou para desistir. Ela descobriu que gostava disso... sentia prazer cada vez que precisava dizer 'não gosto mais de você', não se importava, o prazo acabou mesmo. E assim aconteceu outras vezes, sempre com o mesmo final. Ela falava o que achava necessário de forma direta, sem anestesia. Nunca fez questão de fingir consideração. É claro, ela diz que se trata de sinceridade, e ela não está mentindo... ela apenas omite que se diverte com o estrago que suas palavras causam...
Chegou o dia que ela se interessou por um rapaz... porém... não foi recíproco. Tudo bem, ela sabe que não precisa dele, é só um cara.
Que egoísta! Não pode-se ter tudo que se deseja... justo!
Não pode negar que pensava nele às vezes e que ao beijar outros rapazes, ela imaginava beijar ele. Mas ela não precisava dele. Nenhum sentimento especial.
Conheceu outro menino, que ela quis e namorou por alguns meses e mais uma vez se divertiu ao dispensá-lo.
Agora, passado alguns meses e recém-solteira, ela pensa de novo no rapaz com o qual ela não pôde brincar.
Ela mal lembra dos garotos que já namorou, mas este garoto ela nunca esquece.
-Como seria com ele?- é o que sempre se pergunta. Finge não se importar, pega mais café e volta para seus livros. Ela o largaria mesmo, como fez com os outros. Largaria?


-Qual brinquedo você sempre desejou?