Não se iluda com minhas palavras. Elas podem estar falando a verdade, há uma remota possibilidade. Mas podem estar tentando confundí-lo, muito, muito provável...
Pressão psicológica. Muito atraente quando são poucos os artifícios que me divertem.O terror em seus olhos e o sádico sorriso em meu rosto. Puro prazer. Não o seu, o meu, é esse o propósito. As suas lágrimas e o meu desprezo. Não quero dizer que sou forte, para começar sou tão humana quanto você. E nessa repugnante condição, me satisfaço brincando com sua dor, por um segundo imaginando evidenciar alguma superioridade, assim como alguém já fez comigo. Se é que eu dei esta chance. Como pode Deus estar triste? É tão divertido manipular! É tão divertido estar, ou acreditar que se está no comando. Escolheria mil vezes, se necessário, reinar no inferno em vez de servir no céu. O café está acabando assim como a vida que se esgota a cada dia, a cada novo dia. Alguns anos atrás eu escutava da minha mãe: "É só uma fase". Ela mentiu, se enganou. Agora ela pergunta: "Será que há cura?" como se eu tivesse uma doença, mas na verdade não há uma doença em meu corpo... Eu sou a doença, mas ela não nota. No mais, estou definhando na mesma velocidade que ela. Talvez um pouco mais rápido. Sabe né, hábitos não tão saudáveis, poucas horas de sono, sempre meio acordada, mas nunca acordada de verdade. O café ajuda, engana bem. Um pouco de bebida ajuda mais ainda, mas rouba as poucas horas que eu ficaria desmaiada. Uma dor de cabeça ou outra não é notada, não há tempo para perder com isso. Mais uma vez, retorno ao mesmo velho pensamento. Lembro que minha única certeza é a morte no fim do caminho. Só não sei até onde vai esse caminho. Diabo, como demora! Ainda tenho tempo. Chegue um pouco mais perto, ainda pode me divertir. Enquanto você puder sentir dor, eu estarei ao seu lado, amor.