domingo, 28 de março de 2010

Uma vez no inferno...

Lembro como se ainda estivesse acontecendo, com o mesmo entusiasmo e me perguntando - é real?
Do beijo às escondidas no corredor escuro ao trágico final com direito a lágrimas e arrependimentos antecipados.
Do perfume que ora foi indispensável e que depois tornou-se como aquela música de refrão grudento, que você odeia mas não consegue esquecer se um único acorde é tocado.
Os lábios vermelhos com gosto de vinho que você nunca mais vai provar, porém, não será capaz de esquecer assim como a meia arrastão que com vontade e violência você rasgou, sem qualquer pudor... não, nada volta, se é que aconteceu mesmo ou eu sonhei tudo e curiosamente acordei com sangue e pele debaixo das unhas.
O céu da boca que ainda agora eu poderia fazer um mapa, cada traço, cada textura... as viagens mais intensas que alguém pôde me proporcionar... que no final, nada significou.
Do céu ao inferno, do fogo que quase me consumiu, de cada sussurro, de cada olhar convidativo, de tudo que eu quis e do pouco que eu tive... não volta meu bem, não volta.
Sem mais prazer acompanhado de garrafas e cigarros, sem trilha sonora, sem cor, sem suor, sem excitação e a dúvida de qual dos extremos te leva realmente ao inferno, o excesso ou a falta... não conheço o que está entre os dois.
Acordo com uma dor de cabeça estranha, sem lembranças num primeiro momento, sendo possível raciocinar após uma xícara de café puro... Sem certeza ainda, apenas alguns flashs, o corpo quente, queimando e aquela música, aquela maldita música...

Foi real?