O que se faz quando rir da própria desgraça já não funciona mais, como aquela piada velha que já não surte mais efeito?
Não sei. Sinceramente não sei.
Continuo a pensar e isso me deixa louca. Um pouco além da minha dose "normal" e saudável de loucura.
Voltando pra casa após mais um dia de trabalho, porém, sem os fones de ouvido, peguei pequenos trechos de conversas de uns poucos transeuntes com os quais cruzei... frases soltas, desconexas...
- (...)porque ele sabia que eu não queria nada sério... - falou uma menina de longos cabelos negros e rosto comum.
- ela está muito diferente... - disse um menino cujo rosto não notei.
E parece que tudo se resume a relacionamentos e suas incertezas, é o que todos discutem incansavelmente, um grande caos formado por todos esses dramas particulares, similares. Acontece, acontece.
Acontece... será?
Acontece de você marcar de ir para a praia e chover. Acontece de você perder a hora porque dormiu tarde e não ouviu o despertador gritar em seu ouvido. No mais, temos escolhas, sempre temos escolhas, lembrando que a neutralidade é mais uma delas e os argumentos são armas sofistas quando necessários.
Toda escolha tem um preço. Algumas você nem sente. Outras deixam feridas, futuras cicatrizes. Outras levam sua alma e deixam sua carne caminhando por aí, sem rumo.
Escolhi quem não me pertencia, talvez por capricho. Escolhi me fazer acessível na proporção que ela me era. Não satisfeita, escolhi destruir um relacionamento alheio buscando maior intensidade e aquela massagem no ego. Sim, eu destrui, pois como ela sabe, estive no controle por um tempo, manipulei, persuadi. A recompensa foi rápida e não tão satisfatória... e como tudo, mais um prazo expirou e cá estou, pagando... ainda pagando.
Meu medo era adquirir certos hábitos, mas estou me saindo bem. Não tenho prestado muito ultimamente, mas sou bem transparente quanto a isso, não estou machucando ninguém nem dividindo uma angustia que é só minha. Acho que isso já é algo. Talvez não nobre, mas bem longe de ser podre como qualquer capítulo anterior. Se a intenção normalmente é de melhorar, já me contento e muito em não piorar.