segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Lembranças de uma vida imaginada

Dia de folga é uma droga. Se eu não saio de casa lembro de como minha vida estava poucos meses atrás. Sem a parte do ter alguém por quem esperar. Abro os olhos pela manhã e novamente estou acompanhada pela solidão, "dormindo de conchinha" com ela como diz uma amiga minha. Eu não quero me mover, não quero abrir a janela e sentir o sol, na verdade, nem quero saber se dormi demais e já anoiteceu... mais um dia que se foi... menos um dia...
Parece injusto perceber que todos conseguem seguir em frente e você continua estagnado e que pouco a pouco está sendo corroído por um bicho imaginário que suga toda sua força e pelo tempo que insiste em roubar sua juventude. Este é o seu melhor momento e você está jogado, inerte, assistindo o relógio trabalhar. Este é o seu melhor momento, e você só consegue acender outro cigarro e pedir mais uma dose. Aliás, mais uma dose, por favor!
O que está te matando? O que está me matando é a falta de motivação, a falta de prazer em tudo o que faço, a falta de um objetivo. O que ainda não me matou é a falta de uma arma.
Imagino se por muito tempo lamentarei o que nunca aconteceu, aquilo que nunca foi e que nem chegou perto de ser algo relevante. Às vezes fico pensando em nós, em tudo... que desde sempre soubemos que não daríamos certo e ainda assim insistimos. Você sabia que eu não era idiota como as outras e eu sabia que você não era boa pra mim. Eu sabia que você era problema e que era justamente esse o atrativo. Eu sabia que como todo bom filme, o final seria trágico. Eu sabia que a felicidade era uma utopia, um sonho, mas dormi tempo demais para ter que voltar a realidade... E agora ela me rasga a carne.
Sem dignidade, ainda tenho dinheiro para as bebidas de hoje... de qualquer modo, é só o que preciso... de mais um dia. Abro a carteira, pego um cigarro... tem fogo?