domingo, 23 de novembro de 2008

Auto-Suficiência. Ou quase isso.


Se me pedissem para escolher entre uma pessoa importante e um bom livro, bem, certamente eu ficaria com a segunda opção... acho que justifica minha 'dificuldade' de manter relacionamentos. Esses dias atrás, visitei uma amiga com quem há muito eu não conversava... e ao chegar ao típico assunto sobre garotos, ela me questionou, perguntando por quê eu sempre termino namoros alegando que estes têm prazo. Antes mesmo que eu pudesse responder ela falou: "Nunca conheci uma pessoa que goste de estar sozinha como você gosta"... Bem, ela não mentiu e com isso nem precisei responder.

Nunca gostei de casais, mesmo quando faço parte de um. São patéticos e me causam náuseas. Odeio conversar com um apaixonado que acredita em 'amor eterno' e que relacionamentos duram para 'sempre'. Ninguém está num relacionamento querendo proporcionar bem-estar ao parceiro em questão, mas sim, porque consegue por um tempo, bem-estar próprio. A partir do momento em que não mais se sente satisfeito, termina, sem se importar se a outra parte ficará mal com tal atitude. Sempre achei o término o momento mais bonito de um relacionamento, porque sempre é mais sincero, ou pelo menos assim deve ser. E não há outro destino, se você não ferir, uma hora será ferido, é a lógica.

Você não encontra escorpiões acompanhados (raro!). Estão sempre sozinhos. Sabe por quê? Se num determinado momento eles sentirem fome e faltar o que comer, o mais forte devora o mais fraco. Simples assim. Isso é instinto.

Se busca prazer de verdade, o instinto é o que conta. Humanos são desgraçados por natureza. Todos carregam um punhal escondido, a diferença é que uns o usam antes. Ninguém é inocente. Ninguém é tão bom quanto parece ser. Ninguém é tão bom quanto assim quer ser visto. Por isso não acredito que precisamos de companhia. Auto-suficientes - assim que somos. Ou pelo menos, os mais fortes. Em alguns momentos, usamos ou somos usados, afinal, ainda nos encontramos nessa lamentável condição humana. Mas não passa disso. Você vê, come, enjoa... esporadicamente odeia ou despreza.

Então, obviamente, prefiro um livro. É uma das poucas boas contribuições que um humano pode deixar: Seus pensamentos quando estes são úteis. Então leio e me satisfaço. Quando farta, escrevo, mesmo desprovida de um dom literário, mas ainda me faz bem. E se quero perder meu tempo, aí sim recorro para a companhia de alguém. Exceto nos fins-de-semana, tiro esse dias para descansar das pessoas.