Estou rindo.
Gargalhadas mesmo. Sabe, daquelas difíceis de te arrancarem? Pois bem.
Ela procurava uma vítima, quando, olhou por um momento seu mais novo velho objetivo e sentiu-se como a vítima.
Após tanto tempo, ele ainda faz com que suas pernas fiquem fracas. Parecia extinto. Mas estava adormecido.
Acordou, com uma fúria brutal, de gosto diferente de tudo que ela já experimentou.
Ela olha, sem acreditar que um dia não o quis. Que um dia o dispensou.
O que pretende?
Mais um jogo imundo?
Ela não sabe.
Está confusa.
E negando, negando, negando...
Suas palavras agora perderam o valor.
Deseja o que teve, o que desperdiçou.
Não foi suficiente, mas só agora ela percebeu isso. Ela diz que dói.
Um doer desnecessário... opcional.
Mas quem disse que ela não quer sentir essa dor?
A dor não importa... dos males, é o menor.
O problema é que vai contra tudo que ela sempre acreditou. Assim, ela não se conforma.
Sente-se frágil. Sem ação. Isso, para ela, é inaceitável.
Não poderia ocorrer nem nos seus piores pesadelos.
Mas está acontecendo.
Ela fecha os olhos.
Conta até dez.
Depois, continua, e vai até vinte, para garantir.
Então, lembra que em breve isso estará bem longe de seus pensamentos.
Ela nem lembrará dessa agonia de agora.
É sempre assim.
Mas ele ainda está lá.
Ainda está lá.
Ainda está lá.
Não é perturbador?
E pela segunda vez ela morde a língua.
Mas dessa vez, foi pior.
Ele não está com ela, apenas, próximo, muito próximo.
Ela já o machucou e agora está pagando.
Pagando caro.
Não sabe quais são as suas armas.
Ele já provou do veneno, e, como todos que sobrevivem, agora ele está imune.
O que ela vai fazer?