quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Natal em família

-Por que você é assim?
-Assim como?
-Trata quem gosta de você como cachorro. Trata a todos assim.
-Se os tratasse como cachorros, eu faria cócegas em suas barrigas enquanto rolassem no chão. Eu simplesmente não dei boa noite.
-Olha como você fala comigo! Acha certo? Dê um sorriso pelo menos, tente ser falsa.
-Está me pedindo para ser falsa?
-Meu Deus, olha como você fala, não dá a mínima.
(pego o livro, apago a luz e passo um feliz natal com o Jack.)

sábado, 20 de dezembro de 2008

...


E mais uma vez ela percebeu que não funcionava em par.

E sentou.

E chorou.

E mentiu... apenas fez que se importava.

O que mais esperar dela?

Não passa de uma vadia que por um momento acredita alimentar algum sentimento puro, mas não passa de atração, nunca passa de atração.

Um beijo e uma pegada forte que após horas ela ainda sinta. Só isso.

Nada de pureza.

Depois disso, o sadismo.

Quem não gosta de manipular, dominar? Ela gosta.

Mas está vazia.

Quer alguém por quem possa chorar e sentir falta.

Sentir falta da presença, do cheiro, dos cuidados. Não da carne.

Mas não consegue. Ela até tenta. Mesmo assim, machuca.

Dizem que paixão dura 6 meses... um ano. Se vai além, é amor.

Se isso estiver certo, ela nem mesmo sabe o que é se apaixonar.

Como pode suportar? Pessoas vivem e até morrem por amor, os pobres poetas que confirmem! E ela nem conhece a paixão.

Ri dos , segundo ela, patéticos casais apaixonados, mas é incapaz de saber o que é se dedicar ao que, num dado momento, lhe proporciona maior bem-estar, que possivelmente lhe desperta o amor.

Amor? Ela prefere acreditar que isso não existe.

Boa maneira de fugir. Se você acredita que não existe, não sente falta, afinal, não existe.

Sentir falta. Sentimos falta do que possivelmente já experimentamos, nunca é infundado.

Mas ela nunca amou.

Por isso ela diz que esse sentimento não existe, porque é um desconhecido mesmo? Considerável.

Mesmo assim. Acredito que se amasse, tentaria livrar-se desse sentimento como um médico tenta livrar seu paciente de um tumor. Apenas pelo prazer de gritar que está no comando.

Desta forma, talvez não ame por incapacidade de tal, mas porque não se permite a isso. Não acredita nas pessoas, não dá chance de ser rejeitada, consequentemente, de ser amada.


Está perdendo seus melhores anos.

Está perdendo as melhores pessoas que já conheceu.

Está perdendo bons motivos para derramar suas lágrimas e para dar seus mais sinceros sorrisos.

Suas atitudes são pás de terra a menos no que será sua própria cova.

Quando notar, estará alto demais para que possa escalar, e ninguém estará por perto para resgatá-la.

Colhemos o que plantamos.


Mas ela não funcionava em par mesmo.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Vivido, gasto, perdido.

Preciso escrever. Sabe, antes eu costumava falar sozinha na falta de alguém paciente para me escutar. Mas com o tempo, minha voz se tornou insuportável... insuportável para mim.
Sim, acontecia com frequência.
Mas parecia que eu agia como louca (louca, eu?). Diversas vezes fui surpreendida num desses momentos, então eu tentava disfarçar ao cantar uma música qualquer. Depois, eu nem me importava mais se percebiam.
É tão deprimente falar sozinha.
Nem sempre foi assim.
Nem sempre é assim.
Na verdade, nunca me importei com isso.
E nas poucas vezes que eu me importava, acabava por ignorar também.
Foi quando parei de falar sozinha e passei a escrever.
Entre falar sozinha e escrever, melhor escrever. As chances de te encaminharem para um psicólogo são menores e você continua sem um alguém paciente para, neste caso, ler.
Também sinto falta.
Sinto falta de coisas, momentos e pessoas.
Sinto falta das manhãs de domingo de 95. Eu sempre tomava leite quente e, em seguida, brincava com uns carimbos enquanto minha mãe ajudava minha avó no almoço.
Sinto falta de quando meu tio andava de skate com os amigos no quintal de casa, escutando punk rock, e a cada música que acabava eu dizia 'Tio, põe de novo aquela música?'. Agora não preciso mais disso. Herdei os cd's. Ele cansou daquelas músicas. Eu não.
Sinto falta de quando eu brincava de adoleta com as amigas.
Sinto falta de quando as poucas amigas que tenho ainda tinham um tempo para mim. Algumas não eram amigas, então simplesmente cortei relações. Uma foi embora, quase não nos vemos. A outra está perto, mas vive em função do namorado, que aliás, eu apresentei. Sei que parece egoísmo falando assim, é que nunca deixei amigos de lado porque não posso deixar de ajudar a sogra no almoço aos domingos.
Sinto falta de quando eu conseguia disfarçar o que penso. Agora, o filtro se foi - pensei, falei. Coisa de gente idiota. Mas me sinto bem assim, o que fazer?
Sinto falta de, por ingenuidade, dizer 'eu te amo'. Tudo parecia mais simples. Hoje odeio essa frase simplesmente porque não acredito no seu significado. Porque nunca senti isso mas por engano pronunciei. Porque não hei de 'morrer de tanto amar'. Porque não me importo com quem valoriza isso.
Sinto falta de pessoas que significaram de verdade e que nunca mais encontrei. Sabe, aquelas pessoas que achamos perdidas em fotos velhas.
Sinto falta das tardes desperdiçadas assistindo filmes e comendo chocolates.
Sinto falta de pular o muro da escola no Ensino Médio.
Sinto falta de conversar com uma única pessoa por horas, incansavelmente. Agora não tenho muito tempo para isso.
Sinto falta de tudo que fiz, exatamente porque não me arrependo de nada.
Sinto falta do que poderia ter sido, e não foi. Do domingo que poderia ser perfeito mas não foi;
Da pessoa que eu poderia ter encontrado e não encontrei;
Do abraço que ganharia e do beijo que roubaria;
De uma noite que eu não esqueceria mas que se tornou ... que se tornou só mais uma noite para mim.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Sem título - seria um título?

Ultimamente, tenho deixado em primeiro plano os meus estudos, depois os meus estudos e por último as pessoas que ainda me acrescentam em algum aspecto, não que esse acréscimo se mostre útil.
Já valorizei muito e já fui extremamente valorizada... mas é tudo tão previsível, com um desenlace tão miserável... Já magoei e fui magoada, tornando a magoar... redundante...
No começo era sem querer. Depois por prazer. Prazer de ver o quanto eu poderia influenciar na vida alheia pelo simples fato de existir. A desculpa nunca mudou: Se eu não ferir, cedo ou tarde serei ferida.
Realmente acredito nisso.
Realmente gosto disso.
Devemos nos acostumar a ganhar e a perder. Assim como choramos quando perdemos, comemoramos uma vitória.
Mas não podemos dizer que ganhamos ou que perdemos um alguém significante. Pessoas não são propriedades, não podem ser adquiridas ou perdidas. Então não há motivos para viver em função de uma outra vida. Chegamos sozinhos e sozinhos podemos permanecer. Ímpar. Sem essa tolice de metade da laranja.
A única pessoa que pode me extasiar de orgulho ou de desgosto encontro ao olhar-me no espelho. Só depende dos meus esforços.
Estou me contradizendo?
Talvez sim.
Talvez não.
Gosto de contradições assim como infelizmente continuo gostando das pessoas. Eu diria que é um caso extremo... amor e ódio... ódio e fascínio.
Só que pessoas só me cedem momentos - bons ou ruins.
Sabe, melhor continuar estudando... pelo menos estou colhendo alguns frutos duradouros, estou buscando... construindo conhecimento! Assim espero, é claro.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Tolices.


Então eu sento, levanto, pulo, choro, 'dou patadas', sorrio, SINTO.

Acordo de verdade após tomar um bom café preto sem açúcar, e nada de economia com o pó, café bom é café forte.

Gosto de críticas, elas me fortalecem, ignoro elogios, simples consequência.

Eterna admiradora das mulheres, eu disse Mulheres, as de verdade. Não falo das altas e magras, com corpo de modelo. Não falo das de cabelos negros e sedosos. Na verdade, não falo da embalagem, falo da essência. Falo das que trabalham, estudam, que procuram crescer como pessoas em vez de pensar na próxima balada ou de arranjar um marido para ser sustentada. Essas não são mulheres, são produtos. Você compra pelo que vê, come e percebe que está estragado. Falo das mulheres que sentem.

Gosto de enigmas. Não muito pelo resultado, mas pelo prazer de buscar tal resultado. Assim que consigo, busco outro mistério qualquer.

Gosto de falar o que penso, mas prefiro, muitas vezes, não confessar isso. É quase o mesmo que dizer "Eu sou uma idiota". Quem entende minhas palavras, percebe o quão explícitas são.

Gosto dos beijos que me esquentam o corpo e me gelam as mãos, dos beijos que me façam mulher. Gosto dos tapas fortes e do olhar penetrante.

Se é para sentir, tem que ser por completo.

Pela metade não serve.

Não é sentir.

Não é viver e viver é para poucos.

Viver é para os tolos.

Ahhh... almejada tolice!

domingo, 30 de novembro de 2008

Piegas, piegas.


Mais um fim de semana nem um pouco estimulante que se vai. Estou cansada, muito cansada. Definitivamente preciso de férias. Férias da faculdade e do emprego. Mais duas semanas decisivas, vamos, eu aguento, já passei por coisa pior. Já tive uma carga horária de trabalho mais extensa e mais provas numa única semana. Já deixei de ter os fins de semana. Eu não deveria estar assim, parece que nada me acrescenta, sabe como é? Chega um momento que tudo é tão automático, tudo tão... sem vida. Como se me espetassem com uma agulha e eu não sentisse. Completamente inerte. Neste momento eu deveria estar dando continuidade ao meu trabalho, de História Medieval, mas eu precisava 'desabafar' com 'ninguém', então nada melhor que escrever. É que as pessoas nunca lêem mesmo, não faz diferença.

Bobagem! Só preciso de umas férias mesmo, e tudo volta ao normal. Estou com umas idéias aqui para o meu trabalho e não posso perdê-las com um desabafo ordinário.

sábado, 29 de novembro de 2008

Mudando... nem sempre para melhor... talvez nem sempre mudando de verdade.


"Por um segundo você acredita que mudou. Que mudou para melhor. As pessoas dizem isso, que você está diferente. O sofrimento ajuda muito nesse processo, e você não quer proporcionar aquilo que vivenciou. Então, o olhar muda, e você não recorda mais de como era o mundo sem as cores. Ahh, as cores! Que delícia, você sai, observa cada movimento, cada detalhe. Conta joaninhas, procura desenhos em nuvens e admira a pureza contida no olhar de uma criança. Diz, em alto e bom som, que as melhores pessoas que alguém pode conhecer antes de partir são os amigos que conquistou ao longo dos anos.Então, você descobre que isso era só uma fase, ao contrário do seu lado amargo. Descobre que você nunca mudou. Ainda sente prazer no estrago que consegue proporcionar. A ausência da cor sempre foi mais interessante. As crianças não passam dos adultos hipócritas do amanhã. As joaninhas? Não perdemos muito tempo observando-as, isso é se a notamos.E você descobre que os amigos nem são tão amigos assim.Sua maneira ríspida nunca foi uma fase, um momento. Não era questão de estar, mas sim, de ser. A alegria não está em viver e não consegue encontrar algo que possa sentir falta. A alegria está em saber que o seu tempo está passando, se esgotando, que toda viagem deve ter sua volta. A morte é a única certeza, e no momento a tragédia é não morrer."

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Esses dias atrás assisti um filme que há muito eu não via. Sabe, gosto de filmes que passem uma mensagem ideológica, de musicais ou dos típicos filmes de terror com crianças assustadoras (qualquer criança num filme de terror é assustadora), e esse filme foge desse 'padrão'. Tem uma história bem comum, se passa numa escola de ensino médio, último semestre, baile da formatura chegando, uma aposta entre garotos... Mas em vez da 'mocinha' ser delicada e ficar com o cara rico, a mocinha não passa de uma 'megera' e o cara não fica por baixo, já que sua reputação não é das melhores. Não vou contar a história aqui, porque ler este tipo de história é, definitivamente, um saco. Assistir é bom, é engraçadinho ao menos. Vou apenas falar do momento em que a 'megera' assumi gostar do 'mocinho'... ela faz um poema muito interessante, ou para muitos, bobo, infantil. Que se foda, eu gosto. O filme é o conhecido "Dez coisas que eu odeio em você", e o poema está aí:

"Odeio o modo como fala comigo
E como corta o cabelo
Odeio como dirigi o meu carro
E odeio seu desmazelo
Odeio suas enormes botas de combate
E como consegue ler minha mente
Eu odeio tanto isso em você
Que até me sinto doente
Odeio como está sempre certo
E odeio quando você mente
Odeio quando me faz rir muito
Mais quando me faz chorar...
Odeio quando não está por perto
E o fato de não me ligar
Mas eu odeio principalmente
Não conseguir te odiar
Nem um pouco
Nem mesmo por um segundo
Nem mesmo só por te odiar"

domingo, 23 de novembro de 2008

Auto-Suficiência. Ou quase isso.


Se me pedissem para escolher entre uma pessoa importante e um bom livro, bem, certamente eu ficaria com a segunda opção... acho que justifica minha 'dificuldade' de manter relacionamentos. Esses dias atrás, visitei uma amiga com quem há muito eu não conversava... e ao chegar ao típico assunto sobre garotos, ela me questionou, perguntando por quê eu sempre termino namoros alegando que estes têm prazo. Antes mesmo que eu pudesse responder ela falou: "Nunca conheci uma pessoa que goste de estar sozinha como você gosta"... Bem, ela não mentiu e com isso nem precisei responder.

Nunca gostei de casais, mesmo quando faço parte de um. São patéticos e me causam náuseas. Odeio conversar com um apaixonado que acredita em 'amor eterno' e que relacionamentos duram para 'sempre'. Ninguém está num relacionamento querendo proporcionar bem-estar ao parceiro em questão, mas sim, porque consegue por um tempo, bem-estar próprio. A partir do momento em que não mais se sente satisfeito, termina, sem se importar se a outra parte ficará mal com tal atitude. Sempre achei o término o momento mais bonito de um relacionamento, porque sempre é mais sincero, ou pelo menos assim deve ser. E não há outro destino, se você não ferir, uma hora será ferido, é a lógica.

Você não encontra escorpiões acompanhados (raro!). Estão sempre sozinhos. Sabe por quê? Se num determinado momento eles sentirem fome e faltar o que comer, o mais forte devora o mais fraco. Simples assim. Isso é instinto.

Se busca prazer de verdade, o instinto é o que conta. Humanos são desgraçados por natureza. Todos carregam um punhal escondido, a diferença é que uns o usam antes. Ninguém é inocente. Ninguém é tão bom quanto parece ser. Ninguém é tão bom quanto assim quer ser visto. Por isso não acredito que precisamos de companhia. Auto-suficientes - assim que somos. Ou pelo menos, os mais fortes. Em alguns momentos, usamos ou somos usados, afinal, ainda nos encontramos nessa lamentável condição humana. Mas não passa disso. Você vê, come, enjoa... esporadicamente odeia ou despreza.

Então, obviamente, prefiro um livro. É uma das poucas boas contribuições que um humano pode deixar: Seus pensamentos quando estes são úteis. Então leio e me satisfaço. Quando farta, escrevo, mesmo desprovida de um dom literário, mas ainda me faz bem. E se quero perder meu tempo, aí sim recorro para a companhia de alguém. Exceto nos fins-de-semana, tiro esse dias para descansar das pessoas.

domingo, 9 de novembro de 2008

Momento zumbi. Porque insônia afeta a sanidade.


Se quer um texto coerente, nem perca tempo.

Muitas foram as vezes que busquei me agarrar à algo maior, que busquei um objetivo, uma finalidade para meus atos. O que vale a pena? Sempre que parava para pensar nisso, chegava a maldita conclusão de que nada vale a pena, afinal, estou por aqui de 'passagem' como os bons cristãos afirmam, e o máximo que conseguirei obter é a igualdade forçada, com os que já partiram, dentro de um túmulo qualquer. Mas, de passagem ou não, tenho o meu agora, e posso decidir fazer desse agora uma réplica da multidão ou seguir meus instintos, por mais que sórdidos certas vezes.

Mesmo dançando fora do rítmo, há um padrão, o meu padrão. Não venha dizer que isso não existe, porque é conversa. Você pode buscar por algo fora dos padrões dos demais, mas você cria o seu, é automático. E então, você passa a buscar por algo ou alguém que você idealizou e acredita que só ficará satisfeito quando concretizar isso. Você erra muitas vezes. Eu errei muitas vezes, e não, eu não aprendi. Como uma criança sabe, teimosa. Sabe que se colocar o dedo na tomada vai levar choque. E coloca uma, duas, dez vezes. É divertido, mas uma hora vai cansar, a covardia agradece isso. Sim, minha covardia. Fico satisfeita por saber que colocarei um ponto final, que haverá um ponto final. Assim, guardo apenas o lado bom de tudo, e no pior momento simplesmente me desprendo, não quero um porto seguro, nem quero ser o porto seguro de alguém.

Mas, é inegável que sonho acordada, afinal, ainda há um pouco de humanidade em mim (Há?). Criei o meu padrão. Quero a peça perfeita. Consegui a peça perfeita. Optei pelo oposto disso. Como explicar? Meu lado racional sempre gritou enlouquecidamente, e essa escolha não é muito concebível. A língua sangra, a mordida foi forte. E estou bem. Até quando? Isso é indeterminado. Ainda acredito que tudo tem a sua data de validade. Mas, eu também tenho a minha, e não sei qual data se estende mais.

Ainda sem uma finalidade. Pensando como uma perdedora, posso não sentir o prazer do sucesso mas também não sinto o amargo da derrota do objetivo inalcançado. Pelo menos alguma coisa dever ser estável né. O resto, é montanha russa. E eu gosto disso. Como uma criança sabe, teimosa.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Passatempo

Não se iluda com minhas palavras. Elas podem estar falando a verdade, há uma remota possibilidade. Mas podem estar tentando confundí-lo, muito, muito provável...

Pressão psicológica. Muito atraente quando são poucos os artifícios que me divertem.O terror em seus olhos e o sádico sorriso em meu rosto. Puro prazer. Não o seu, o meu, é esse o propósito. As suas lágrimas e o meu desprezo. Não quero dizer que sou forte, para começar sou tão humana quanto você. E nessa repugnante condição, me satisfaço brincando com sua dor, por um segundo imaginando evidenciar alguma superioridade, assim como alguém já fez comigo. Se é que eu dei esta chance. Como pode Deus estar triste? É tão divertido manipular! É tão divertido estar, ou acreditar que se está no comando. Escolheria mil vezes, se necessário, reinar no inferno em vez de servir no céu. O café está acabando assim como a vida que se esgota a cada dia, a cada novo dia. Alguns anos atrás eu escutava da minha mãe: "É só uma fase". Ela mentiu, se enganou. Agora ela pergunta: "Será que há cura?" como se eu tivesse uma doença, mas na verdade não há uma doença em meu corpo... Eu sou a doença, mas ela não nota. No mais, estou definhando na mesma velocidade que ela. Talvez um pouco mais rápido. Sabe né, hábitos não tão saudáveis, poucas horas de sono, sempre meio acordada, mas nunca acordada de verdade. O café ajuda, engana bem. Um pouco de bebida ajuda mais ainda, mas rouba as poucas horas que eu ficaria desmaiada. Uma dor de cabeça ou outra não é notada, não há tempo para perder com isso. Mais uma vez, retorno ao mesmo velho pensamento. Lembro que minha única certeza é a morte no fim do caminho. Só não sei até onde vai esse caminho. Diabo, como demora! Ainda tenho tempo. Chegue um pouco mais perto, ainda pode me divertir. Enquanto você puder sentir dor, eu estarei ao seu lado, amor.

domingo, 5 de outubro de 2008

Divagações desconexas

Odeio garotas de boa reputação, são as piores. Você não sabe o que se passa na cabeça delas e nem imagina. Ninguém é tão bom quanto parece, apenas o suficiente para esconder algo bem podre.
Odeio garotos que acreditam que elogiar uma garota é chamá-la de gostosa em vez de primeiro conversar com ela e dizer o quanto ela é inteligente.
Odeio falta de autenticidade e aquela velha história de que 'nada se cria, tudo se copia', não passa de uma desculpa de pessoas que são incapazes até mesmo de acreditar na sua capacidade.
Odeio a contínua e necessária (de certa forma)prática da sociabilização, sorrisos falsos e conversas descartáveis com as quais se convive.
Odeio acordar e notar que o sol está radiante, enquanto eu desejaria me deparar com uma espessa neblina hamonizando com a pele pálida do meu rosto frio.
Odeio ver pessoas as 6 da manhã distribuindo sorrisos e dizendo "Bom dia" quando o que mais querem é dizer o quanto adorariam não te encontrar logo cedo.
Não ser tão sincero também não quer dizer que precisa mentir explícitamente, e isso vale em todos os sentidos.

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Uma velha amiga minha sempre usava a seguinte frase: "Gosto do gasto e do estrago". Hoje, ela já não gosta mais, e deixa isso bem claro. Porém, eu, sempre me deliciei com essa frase. Gosto dos românticos mas me divirto mesmo com os ordinários que agem mais. Gosto dos beijos mais doces mas sinto prazer de verdade com um puxão de cabelo e um beijo forçado. Simpatizo com o namoro, mas sempre achei o término de um relacionamento mais divertido, sempre achei todo aquele drama do rapaz abandonado muito estimulante. Acho que é lindo sonhar com o amor eterno, mas prefiro as paixões que são mais passageiras e proveitosas. Gosto da solidão, do frio e do escuro, consigo ser mais observadora e desenvolvo meus mais puros pensamentos. Os pensamentos sórdidos, normalmente gosto de compartilhar, sempre serve como uma boa camuflagem. Sinceramente, já tentei me satisfazer com um simples meio-termo. Mas não foi suficiente. Ainda gosto de um bom drama, das conversas mais intensas, do olhar mais devastador, dos sussurros mais sacanas, da pegada mais forte. Quando já se foi longe demais, você nunca quer voltar. Você sempre quer mais. Eu quero mais. "Eu gosto do gasto e do estrago."

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Por que a paz se as pessoas sentem um estranho prazer no sangue que pode ser derramado? Sexo, drogas e violência sempre venderam mais jornais, ou estou mentindo? Não ficamos satisfeitos com acordos amigáveis, e sempre foi assim. Fazemos história destruindo algo, literalmente, independente se o que exterminamos foi uma idéia ou uma vida. Ficamos horrorizados e fazemos protestos quando escutamos que a vida de uma garota rica foi roubada de forma brutal, mas fazemos pouco caso quando centenas de pessoas morrem num atentado terrorista, ou, num confronto com policiais. Mesmo assim, preferimos discutir futilidades, falar mal de um desafeto ou publicar um texto mal-escrito e sem conteúdo numa página da internet.

domingo, 3 de agosto de 2008

Há palavras que nos beijam



Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'neill

quinta-feira, 31 de julho de 2008

-Qual brinquedo você sempre desejou?

Havia uma garota,não me recordo seu nome, porém pouco importa... bem, nada de especial para enfatizar nela, nunca foi muito simpática e evitava multidões. Filha única, não era rica e nem mimada. Ganhava apenas o que sua mãe julgava necessário. A menina gostava de brincar no parque, mas quase não ia, porque sempre havia muitas crianças, e ela não gostava muito de lugares 'lotados'. Então ela pediu uma balança para sua mãe... era o que ela mais gostava no parque, poderia ter em casa... não precisaria tolerar outras crianças por perto. E ela ganhou! Não entendo como cabia tanta euforia num ser tão pequenino! Então ela brincou uma, duas, várias vezes, até enjoar e deixar a balança de lado, inutilizada, como já fizera com tantos outros brinquedos. Numa outra ocasião, pediu um patinete, mas desta vez não ganhou. Ficou frustrada, mas não insistiu. Não precisava mesmo, ela sabia que usaria por um tempo e depois esqueceria num canto qualquer. Ela sempre lembrava do patinete. Ela quis, mas não teve.
A garota cresceu. Nem de longe pode ser considerada a mais bonita ou inteligente... mesmo sendo bonita e inteligente. Um pouco fora dos padrões talvez e ainda tem grande aversão quando se fala de lugares lotados. Tem por perto apenas o que acha necessário para sua vida... amigos, poucos amigos, os melhores que uma pessoa pode querer. Não troca suas horas de leitura por nada. Agora, crescida, ela não tem mais brinquedos. Mas têm garotos desempenhando este papel. Ela não notou esta troca, mas isso é fato. Ela não precisava de brinquedos, mas gostava de tê-los. Hoje, ela acredita que não precisa de meninos, mas gosta deles, não pode negar que eles a divertem até determinado ponto.
A brincadeira começa...
Ela se interessa por um rapaz... mas não corre atrás, não, ela sabe ser muito sutil... não entendo o que ela fez, mas foi correspondida, chegando a namorar com ele. Ela ficou muito, muito alegre e satisfeita. Mas tudo tem o seu prazo de validade, é no que ela acredita, não pode fugir disso. Certo dia ela terminou o namoro, ele ainda a queria, chorou, demorou para desistir. Ela descobriu que gostava disso... sentia prazer cada vez que precisava dizer 'não gosto mais de você', não se importava, o prazo acabou mesmo. E assim aconteceu outras vezes, sempre com o mesmo final. Ela falava o que achava necessário de forma direta, sem anestesia. Nunca fez questão de fingir consideração. É claro, ela diz que se trata de sinceridade, e ela não está mentindo... ela apenas omite que se diverte com o estrago que suas palavras causam...
Chegou o dia que ela se interessou por um rapaz... porém... não foi recíproco. Tudo bem, ela sabe que não precisa dele, é só um cara.
Que egoísta! Não pode-se ter tudo que se deseja... justo!
Não pode negar que pensava nele às vezes e que ao beijar outros rapazes, ela imaginava beijar ele. Mas ela não precisava dele. Nenhum sentimento especial.
Conheceu outro menino, que ela quis e namorou por alguns meses e mais uma vez se divertiu ao dispensá-lo.
Agora, passado alguns meses e recém-solteira, ela pensa de novo no rapaz com o qual ela não pôde brincar.
Ela mal lembra dos garotos que já namorou, mas este garoto ela nunca esquece.
-Como seria com ele?- é o que sempre se pergunta. Finge não se importar, pega mais café e volta para seus livros. Ela o largaria mesmo, como fez com os outros. Largaria?


-Qual brinquedo você sempre desejou?